Onde comprar em 2026: leitura por perfis e trajetórias de preços
Antes de focar em cada zona, é útil raciocinar por perfis de compradores. Dependendo se você procura um pied-à-terre, um investimento para aluguel ou uma mudança completa de vida, as respostas não serão as mesmas.
Em 2026, o mercado andaluz deverá continuar dinâmico, mas mais segmentado. Algumas áreas parecem próximas de um teto de preços a curto prazo, enquanto outras ainda contam com uma margem de progressão importante.
- Para um projeto patrimonial de longo prazo: priorize as grandes cidades com mercado profundo, bem conectadas e líquidas.
- Para rendimento sazonal: mire zonas litorâneas de grande demanda turística internacional, mesmo que os preços de compra sejam mais altos.
- Para uma mudança de vida com orçamento controlado: olhe para municípios do segundo anel ou cidades médias conectadas por trem ou rodovia.
Valor patrimonial: Sevilha intramuros, conforto urbano e alta liquidez
Sevilha intramuros continua, para muitos compradores, o « coração patrimonial » da Andaluzia. O centro histórico, os bairros Triana, Los Remedios ou ainda Nervión oferecem um raro mix de charme arquitetônico, serviços urbanos e demanda sustentada para locações.
- Alta liquidez: imóveis de qualidade são revendidos rapidamente, mesmo em fases de mercado mais calmas.
- Demanda diversificada: turistas, estudantes, executivos locais, funcionários públicos, expatriados… o que amortece os ciclos.
- Restrições de oferta: pouca terra disponível intramuros, o que sustenta os preços no longo prazo.
O mercado imobiliário em Sevilha e sua província confirma essa tensão: os imóveis buscados têm em média áreas generosas e orçamentos já elevados para a Espanha, o que mostra um posicionamento claramente patrimonial.
Em 2026, pode-se esperar uma estabilização suave dos preços no centro, após vários anos de alta. As maiores valorizações devem migrar para:
- os subúrbios bem conectados (San Bernardo, La Buhaira, áreas próximas ao metrô e bonde);
- os bairros residenciais preferidos por famílias com escolas e parques.
Os dados do Green Acres mostram ainda que a demanda estrangeira é muito francófila: os franceses representam cerca de 30% das solicitações, à frente de americanos e britânicos. O tíquete médio de um francês gira em torno de 260.000 € para quase 200 m², ou seja, um preço médio por m² ainda inferior ao da Costa del Sol, reforçando o apelo de Sevilha para um projeto de longo prazo.
Para um investidor patrimonial, Sevilha intramuros marca várias caixas:
- segurança a longo prazo no valor de revenda;
- várias estratégias de aluguel possíveis (sazonal regulamentado, média ou longa duração);
- um estilo de vida animado o ano todo, ideal se você pretende passar vários meses lá.
A desvantagem: um tíquete de entrada crescente e forte concorrência nos imóveis bem localizados e reformados. É preciso aceitar pagar o valor da raridade ou buscar imóveis para reformar e criar sua própria valorização. 🔧
Rendimento sazonal: Costa del Sol (Marbella–Estepona–Benahavís) impulsionada pelo luxo
Para um perfil que busca sobretudo rendimento sazonal, é difícil ignorar a Costa del Sol. O trio Marbella–Estepona–Benahavís reposicionou-se como destino premium em nível europeu.
- Marbella: marca internacional, clientela endinheirada, demanda muito forte na alta e baixa temporada.
- Estepona: upgrade acelerado, orla requalificada, grande investimento em espaços públicos.
- Benahavís: vilas, condomínios fechados, golfe, produto mais exclusivo, costuma ter serviços integrados.
As buscas por residências secundárias ilustram bem a hierarquia interna do segmento de luxo:
- Imóveis em Marbella, os imóveis procurados superam em média muito o milhão de euros, com preço por m² acima de 5.700 €/m².
- Imóveis em Estepona, continua sendo topo de linha, porém um pouco mais acessível, em torno de 4.100 €/m² para apartamentos e casas de cerca de 140 m².
- Imóveis em Benahavís, aí o nível é ainda mais elevado: imóveis nesse segmento muito exclusivo atingem, em média, mais de 2,6 milhões de euros, para grandes vilas com mais de 500 m², muitas vezes em condomínios com golfe e serviços.
Os ingredientes que sustentam preços e aluguéis sazonais:
- sazonalidade estendida de abril a outubro, com ocupação no inverno;
- posicionamento luxo que atrai clientela menos sensível à variação de preços;
- oferta de atividades diversificada: golfe, marinas, gastronomia, eventos internacionais.
Em 2026, o cenário mais provável é de um mercado ainda caro, ou muito caro, mas impulsionado por:
- pipeline de novos projetos premium;
- certa escassez de terras bem localizadas à beira-mar;
- rendimentos sazonais que seguem competitivos frente a outros litorais mediterrâneos equivalentes.
Este setor é voltado a:
- compradores com orçamento confortável, aptos a arcar com custos altos de condomínio;
- investidores que aceitam uma gestão locativa muito profissionalizada, para otimizar ocupação e preços;
- perfis que buscam também uso de lazer (residência secundária), além da rentabilidade.
A contrapartida: mercado já bastante valorizado, com risco de volatilidade maior em caso de abalos no turismo internacional ou no segmento de luxo.
Tíquetes de entrada e zonas de oportunidade
Após definir seu perfil, a pergunta-chave é: com qual orçamento, e para que tipo de imóvel, você pode entrar no mercado? As disparidades são grandes entre metrópoles, litoral premium e municípios no segundo anel.
Para 2026, várias tendências se desenham:
- os centros urbanos principais (Sevilha, Málaga intramuros) já apresentam níveis elevados;
- o litoral malaguenho aproxima-se de um pico histórico, com pressão crescente nos imóveis bem localizados;
- os municípios do segundo anel se beneficiam de migração de demanda, com altas por vezes espetaculares.
Málaga e litoral: orçamentos em alta, pico histórico em 2026
Málaga mudou de patamar. A cidade passou em alguns anos de destino balneário clássico a pólo cultural e tecnológico, com:
- mais museus e oferta cultural;
- pólo tecnológico em expansão;
- excelente conectividade aérea e ferroviária;
- forte procura por parte de estrangeiros e expatriados.
Consequência direta: os preços de entrada aumentam, em particular:
- no centro histórico renovado e zona portuária;
- nos bairros residenciais à beira-mar;
- ao longo do litoral, de Torremolinos, Benalmádena, até Fuengirola.
Porém, os números coletados na província de Málaga contradizem a imagem de um mercado inacessível: imóveis buscados como residências secundárias têm em média vários centenas de milhares de euros, mas para superfícies muitas vezes bem grandes, o que traz o valor por m² para menos de 2.000 €/m² na média provincial. Essa diferença entre preço total e preço por m² mostra que se afastar um pouco do hipercentro ou da orla pode aliviar o orçamento.
A demanda estrangeira é bastante diversificada: franceses, belgas, alemães e holandeses concentram boa parte das buscas, com tíquetes médios em torno de 300.000 € para cerca de 100 m². Americanos e suíços estão em patamar acima, com preços médios superiores a 400.000 € e preços por m² que frequentemente superam 3.000 €/m² nas áreas mais desejadas.
A percepção do mercado para 2026 é de um pico histórico ou próximo, sobretudo para:
- apartamentos novos ou renovados com vista para o mar;
- pequenas áreas bem localizadas, muito procuradas para aluguel de temporada;
- projetos novos com serviços (piscina, academia, concierge).
Para o comprador:
- que privilegia a segurança de ocupação (residir, teletrabalhar);
- que aceita um rendimento mais moderado porém estável;
- que aposta no papel de hub de longo prazo de Málaga,
Málaga ainda faz sentido, mesmo com tíquete alto.
Se o objetivo for mais a mais-valia a curto prazo, a cautela é essencial: comprar no topo do ciclo exige horizonte longo de investimento e capacidade para absorver eventuais correções de preços.
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Municípios « segundo anel » (Huelva, Vélez-Málaga, Casares): crescimento > +20% a/a em 2024–2025, potencial mas vigilância
Frente à forte alta dos preços em Sevilha e na Costa del Sol, muitos compradores se voltam para municípios do segundo anel, por vezes periféricos, mas hoje bem mais valorizados que há cinco anos.
Entre as áreas que se destacam:
- Huelva: litoral ainda mais acessível, praias extensas, perfil mais familiar e nacional.
- Vélez-Málaga: ao leste de Málaga, impulsionada pelo efeito transferência da capital provincial.
- Casares: próximo a Estepona, unindo vilarejos brancos e novos condomínios residenciais.
Esses municípios registraram valorizações acima de +20% ao ano em 2024–2025, graças a:
- movimento de quem foi « expulso » dos centros centrais pelo preço alto;
- novos projetos imobiliários, normalmente com bom padrão de acabamento;
- interesse crescente de investidores em mercados « atrasados ».
Os dados do Green Acres ilustram bem essa escada entre primeiro e segundo anel: em Vélez-Málaga, os imóveis giram em torno de 260.000 € por quase 190 m², com preço por m² perto de 1.400 €/m², muito abaixo do nível da Costa del Sol ocidental.
Em Casares, a proximidade de Estepona e do segmento de luxo puxa preços para cima: buscas por imóveis em torno de 500.000 € e 130 m², quase 3.800 €/m², o que a torna uma zona de transição entre segundo anel e litoral premium.
No departamento de Huelva, os compradores estrangeiros ainda têm perfil mais « value » que luxo: portugueses lideram a demanda, seguidos por franceses e alemães. Os tíquetes médios oscilam em torno de 150.000–160.000 € para 110 a 140 m², preços por m² ainda perto de 1.200–1.300 €/m², uma fração dos valores em Málaga. Isso sugere potencial de alta, desde que haja evolução em infraestrutura e oferta de serviços.
Para o comprador, essas áreas podem representar reais oportunidades:
- tíquete de entrada menor que em Málaga ou Marbella, para a mesma superfície;
- potencial de alta adicional, se infraestrutura acompanhar;
- possibilidade de apostar tanto em aluguel sazonal quanto em média duração.
Mas essa rápida dinâmica impõe especial atenção ao ponto de entrada:
- crescimento recente muito forte pode sinalizar risco de superaquecimento a curto prazo;
- mercados menores e menos líquidos: a revenda pode ser mais lenta;
- tudo depende da qualidade do micro-local (proximidade do mar, serviços, acessos rodoviários).
Nessas áreas, é crucial:
- visitar diferentes bairros, não apenas a orla ou lançamentos em destaque;
- analisar fluxos reais (turismo, moradores, projetos de infraestrutura);
- prever margem de segurança em seu financiamento, caso a revenda demore ou o aluguel fique abaixo das expectativas.
Para projetos de longo prazo (8–12 anos) com orçamento mais apertado, esses municípios podem ser um bom compromisso entre acesso e potencial. Para horizonte mais curto, exigem análise detalhada e acompanhamento local consistente. 🙂