Escolher o seu setor na Galícia em 2026: uso, orçamento e acessibilidade
Antes de decidir entre Santiago de Compostela, Vigo ou Corunha, o mais eficiente é esclarecer o seu projeto.
Em 2026, três critérios dominarão as suas escolhas:
- o uso: residência principal, segunda casa, aluguel de temporada ou uso misto
- o orçamento: preço de compra, obras e despesas recorrentes
- a acessibilidade: tempo de viagem desde França, transportes locais, serviços do dia-a-dia
Esses parâmetros não orientam necessariamente para a mesma cidade. Uma família com crianças não terá as mesmas prioridades que um casal de teletrabalhadores ou um investidor puro.
Na prática, os projetos « anuais » concentram-se mais em torno dos grandes centros universitários, enquanto a procura por residências secundárias se polariza na costa e em casas familiares com jardim. Os dados de pesquisa observados no Green-acres confirmam esta dualidade entre usos urbanos e lazer costeiro.
Costas atlânticas (Arousa, Muros-Noia): lazer e mercados animados
Se o seu sonho é o mar, o verão ameno e mariscos a poucos passos do mercado, as rías galegas são um terreno de lazer ideal. 😊
As zonas de Arousa ou Muros-Noia oferecem um compromisso interessante:
- paisagem natural: praias, enseadas, trilhos costeiros, parques naturais
- ambiente: vilas de pescadores, pequenas cidades animadas no verão, festivais locais
- mercados: peixe super fresco, produtos locais, restaurantes acessíveis
Para um projeto de lazer ou de segunda residência, estes setores são adequados se procura:
- um local de descanso, com um ritmo mais lento
- potencial de aluguel sazonal (julho-agosto, feriados prolongados, Semana Santa)
- preços ainda mais atrativos do que nos centros das grandes cidades
Nota: na faixa atlântica dependente da província de Pontevedra (onde se encontram Vigo e parte das rías), os dados do Green-acres mostram que compradores estrangeiros tendem a procurar casas de 170 a 240 m², com orçamentos medianos entre 375.000 e 500.000 €, dependendo do país de origem.
Os perfis mais presentes vêm da Suíça, Reino Unido, Países Baixos, Alemanha, Estados Unidos e França, o que contribui para movimentar o mercado de segundas residências, sem transformá-lo numa costa « saturada » como o Mediterrâneo.
As contrapartidas a considerar:
- sazonalidade marcada: muita vida no verão, relativa calma no inverno
- serviços mais limitados: hospitais, grandes escolas e estações de trem às vezes a 30-60 minutos
- dependência do carro em muitas aldeias
Na prática, uma compra nestas costas é bastante adequada para:
- franceses que vêm várias vezes por ano (carro ou avião + carro alugado)
- compradores prontos para gerir um aluguel de temporada direcionado
- aposentados que aceitam uma vida mais rural, mas próxima do mar
Cidades universitárias: liquidez e serviços para residências principais
Por outro lado, se procura uma base de vida anual ou uma segunda casa fácil de alugar, as cidades universitárias galegas são apostas seguras.
Os três polos principais são:
- Santiago de Compostela: capital espiritual e universitária, aeroporto internacional, centro histórico muito atrativo
- Vigo: grande cidade portuária, dinâmica econômica, polo de empregos e um dos principais portos de pesca da Europa
- Corunha: cidade costeira ativa, boa qualidade de vida, muitos serviços e conexões com o restante da Espanha
O que essas cidades oferecem ao comprador:
- liquidez: fácil revenda, geralmente mais simples do que em áreas rurais
- serviços completos: hospitais, universidades, comércio, cultura, transportes públicos
- público de aluguel variado: estudantes, jovens profissionais, funcionários públicos, turistas urbanos
Para uma residência principal, Santiago, Vigo ou Corunha permitem:
- integração mais fácil (comunidades internacionais, escolas de idiomas)
- acesso rápido ao resto da Galícia (trem, ônibus, estradas rápidas)
- um estilo de vida mais urbano, com tudo a pé ou por transporte público
A escolha entre estas três cidades dependerá então do seu perfil:
- Santiago de Compostela: ideal se aprecia história, património e um ritmo de vida um pouco mais calmo
- Vigo: indicada se prioriza o dinamismo econômico e a proximidade com Portugal
- Corunha: interessante para quem procura uma cidade costeira com forte identidade local
Em Vigo, por exemplo, os imóveis no Green-acres têm em média cerca de 210 m², o que ilustra o interesse por grandes espaços familiares ou casas urbanas que podem combinar uso próprio e aluguel. Esse tipo de produto se encaixa bem em um projeto de residência anual, mantendo boa revenda para um público internacional.
Orçamentos e pontos de entrada
A Galícia continua, em 2026, estruturalmente mais acessível do que a Catalunha, Madri ou o País Basco espanhol.
É uma região onde ainda é possível:
- comprar um apartamento em uma grande cidade sem orçamento estourado
- encontrar uma casa de aldeia para renovar a preço baixo
- mirar um imóvel com vista para o mar a um valor inferior a outras costas ibéricas
Referência regional 1.473 €/m²; descontos possíveis em áreas rurais
Em torno de 1.473 €/m² como média regional, a Galícia exibe um preço de referência ainda razoável em comparação a outras zonas turísticas da Espanha.
No entanto, essa média esconde grandes disparidades:
- nos centros de Santiago, Vigo ou Corunha, alguns bairros bem localizados superam amplamente esta referência
- nas zonas rurais interiores, os descontos podem ser muito importantes, especialmente para casas antigas a renovar
- em aldeias costeiras menos conhecidas, ainda se encontram casas familiares a preços bem atrativos
Tipos de imóveis onde buscar « pontos de entrada » interessantes:
- apartamentos de tamanho médio (60-80 m²) um pouco afastados dos hipercêntricos
- casas antigas para modernizar em aldeias bem conectadas com uma grande cidade
- imóveis que precisam de uma pequena renovação, menos desejados do que os « prontos para morar »
Os números de procura compilados pelo Green-acres para a província da Corunha ilustram bem o posicionamento ainda acessível do mercado: compradores estrangeiros que visam este departamento buscam em média imóveis de cerca de 200 m², com orçamentos que vão de cerca de 125.000 € para alguns perfis alemães até quase 300.000 € para compradores americanos ou holandeses.
Os franceses, principais compradores estrangeiros, estão em torno de 207.000 € por 200 m², confirmando a imagem de um mercado de casas familiares a preços contidos.
Para um projeto de mudança de vida com orçamento controlado, olhar além dos 10-15 primeiros anúncios das grandes cidades pode revelar oportunidades em bairros em transição.
Obras energéticas a antecipar nos imóveis antigos (incentivos locais)
A Galícia possui um património imobiliário antigo relevante, muitas vezes em pedra, com charme incontestável… mas por vezes com desempenho energético abaixo do ideal.
Antes da compra, é prudente:
- analisar o certificado energético do imóvel (DPE espanhol)
- prever um orçamento de obras: isolamento, janelas, aquecimento mais eficiente
- informar-se sobre os incentivos locais e regionais: subsídios para renovação energética, apoio às fachadas, programas municipais
Essas obras podem:
- aumentar muito o conforto de vida no inverno (chuva, humidade, ventos atlânticos)
- reduzir os seus custos de aquecimento
- reforçar o atrativo locativo do imóvel, principalmente para aluguel anual
Num projeto de residência principal ou aluguel de longa duração, integrar esse aspecto técnico já na negociação é uma verdadeira margem de manobra:
- pedindo orçamentos antes de assinar
- negociando o preço em função das obras necessárias
- planejando as reformas passo a passo para distribuir o orçamento
Trajetória 2026: turismo em alta, procura residencial estável
A médio prazo, em 2026, a Galícia aparece como uma região onde o turismo cresce sem cair no superaquecimento observado em outras costas espanholas.
Para um comprador, isso significa um ambiente relativamente preservado, com:
- um atrativo turístico dinâmico (Caminhos de Santiago, litoral, gastronomia)
- uma demanda residencial bastante estável, sustentada pelas cidades universitárias
- um risco especulativo mais limitado do que noutros locais, mas com aumentos pontuais nos setores mais procurados
Indicadores hoteleiros e de frequência em alta (INE/Xunta)
Os dados de frequência (INE, Xunta de Galicia) mostram uma tendência favorável:
- noites de hotel em alta nas principais cidades
- prolongamento da temporada turística em alguns setores costeiros
- aumento do turismo internacional, impulsionado particularmente pelos Caminhos de Santiago
Para um projeto que inclui aluguel de curta duração, isso se traduz em:
- uma taxa de ocupação potencialmente interessante nos centros urbanos
- boa visibilidade nas épocas de alta temporada
- clientela diversificada: peregrinos, turistas culturais, amantes de natureza
Os perfis de compradores estrangeiros identificados nas províncias costeiras galegas completam esse quadro: entre Corunha e Pontevedra, a presença de franceses, suíços, britânicos ou americanos ajuda a estabilizar a procura ao longo do ano, com usos que misturam residências secundárias, teletrabalho ocasional e aposentados a viverem em tempo integral.
No entanto, continua importante:
- verificar a regulamentação local dos alugueis de temporada (autorizações, quotas eventuais)
- não basear todo o modelo econômico na alta temporada
- prever um cenário de receitas mais prudente para securizar o seu projeto
Escolha entre sazonalidade e uso anual conforme o perfil do comprador
Cada perfil de comprador tomará uma decisão diferente entre uso sazonal e anual:
- mudança de vida / residência principal: prioridade às cidades universitárias e setores bem servidos (Santiago, Vigo, Corunha, grandes cidades costeiras)
- segunda residência familiar: aldeias da costa atlântica, zonas de Arousa, Muros-Noia, pequenas cidades com mercado, porto e praia
- investidor misto (sazonal + médio prazo): bairros bem localizados das grandes cidades, com acesso fácil a transportes e ao centro histórico
Para encontrar o seu equilíbrio pessoal, questione-se sobre:
- o número de semanas por ano que irá utilizar o imóvel
- a sua tolerância à gestão de aluguel (limpeza, entradas/saídas, concierge)
- a importância, ou não, de viver num bairro animado todo o ano
A mesma cidade pode oferecer vários cenários:
- um bairro muito turístico, animado, mas mais caro
- um bairro residencial, calmo e mais acessível
- um setor em reconversão, com potencial de valorização a médio prazo
As tendências observadas nos portais especializados como Green-acres sugerem que essa diversidade de perfis continuará a crescer até 2026, com mais projetos híbridos misturando uso próprio, teletrabalho sazonal e aluguel em algumas semanas específicas.
O desafio, em 2026, não será apenas “escolher entre Santiago, Vigo ou Corunha”, mas encontrar o melhor compromisso entre uso próprio, possível rentabilidade e conforto de vida cotidiana. 🌟