Escolhendo sua zona em 2026: uso anual, orçamentos e acessibilidade
Antes mesmo de comparar as ilhas, esclareça seu cenário de vida. Nas Canárias, um mesmo orçamento pode levar tanto a um apartamento perto da praia em uma estação muito turística quanto a uma casa maior em uma área mais residencial ou rural.
Faça a si mesmo algumas perguntas-chave:
- Você vai morar lá o ano todo ou apenas durante a temporada?
- Precisa de acesso aéreo direto e frequente do seu país?
- Deseja alugar facilmente seu imóvel por curtos períodos?
- Você aceita precisar de um carro indispensável ou prefere fazer tudo a pé?
As respostas orientam fortemente a escolha entre Tenerife sul, o litoral de Gran Canaria, os segmentos de lazer de Lanzarote/Fuerteventura ou as ilhas mais discretas como La Palma.
Tenerife sul, litoral de Gran Canaria: mercados líquidos e valores altos
Tenerife e Gran Canaria concentram grande parte da demanda internacional. Resultado: mercados líquidos, onde se compra e vende mais facilmente, mas com níveis de preços acima da média do arquipélago.
As áreas mais procuradas incluem:
- Tenerife sul: Costa Adeje, Los Cristianos, Playa de las Américas, Amarilla Golf.
- Litoral de Gran Canaria: Maspalomas, Playa del Inglés, Meloneras, Arguineguín, Puerto Rico.
Esses setores reúnem várias vantagens:
- clima muito ameno e ensolarado o ano todo;
- forte presença de serviços: comércio, restaurantes, saúde, escolas internacionais;
- volumes de transações importantes, portanto preços de mercado bem estabelecidos;
- grande potencial de aluguel turístico, especialmente de curta duração.
Em contrapartida, os valores de entrada são elevados, especialmente:
- nas frentes marítimas e residências com piscina;
- para imóveis com vista panorâmica do mar ou grande terraço;
- em condomínios recentes com serviços (segurança, concierge, spa).
Para um comprador que busca garantir a revenda, essas zonas « prime » continuam sendo valores relativamente defensivos em escala regional.
Isso é visível, por exemplo, em Meloneras, na costa sul de Gran Canaria: os imóveis procurados ali apresentam preços por metro quadrado claramente superiores à média do arquipélago, refletindo um mercado muito internacional e uma oferta predominantemente composta por residências recentes com serviços.
Quem compra em Tenerife e Gran Canaria?
Os dados do site especializado Green Acres mostram que esses mercados não são impulsionados apenas por um país, mas por uma verdadeira mistura de compradores europeus.
Em Tenerife, as demandas estrangeiras são dominadas pelos italianos (20% das pesquisas), seguidos pelos franceses (13%), alemães (10%) e suíços e belgas (8% cada). Os orçamentos medianos estão em torno de 259.000 € para os italianos e 328.000 € para os franceses, com áreas médias de aproximadamente 60 a 100 m².
No departamento de Las Palmas (que inclui uma grande parte de Gran Canaria, por exemplo), os italianos representam 17% das demandas estrangeiras e os franceses 13%, com preços medianos de cerca de 255.000 a 275.000 € para áreas próximas de 70 a mais de 100 m². Esse perfil variado de compradores contribui para a profundidade de mercado e liquidez dos setores mais turísticos.
Lanzarote e Fuerteventura: segmentos de lazer, valores variáveis conforme a fronte marítima
Lanzarote e Fuerteventura atraem um público em busca de paisagens mais selvagens, esportes náuticos e um ambiente um pouco menos urbano. O mercado é muito voltado para o lazer, com grande variabilidade de preços.
Nessas ilhas, a localização específica faz toda a diferença:
- as frentes marítimas e as estações balneárias (Puerto del Carmen, Costa Teguise, Corralejo, Caleta de Fuste…) atingem preços frequentemente comparáveis a certas zonas de Tenerife ou Gran Canaria;
- no interior ou em aldeias mais tranquilas, os valores voltam a ser bem mais acessíveis;
- casas individuais com terreno — às vezes com licença turística — podem oferecer uma boa relação área/preço, porém com liquidez menor do que nos grandes centros.
Imóveis em Corralejo: no norte de Fuerteventura, ilustra bem essa lógica: segundo os anúncios no Green-acres, os imóveis oferecidos ali são majoritariamente de residências secundárias, muitas vezes com piscina ou proximidade imediata à praia, o que eleva os preços nos bairros mais disputados.
Em Lanzarote, a capital Arrecife apresenta outro perfil: de acordo com as demandas observadas em Arrecife, os orçamentos médios permanecem mais contidos do que nas estações balneárias ao sul da ilha, com apartamentos de áreas razoáveis em seu centro urbano. Uma opção interessante se você priorizar o acesso a serviços durante todo o ano em vez da linha de frente ultra-turística ao mar.
O equilíbrio a ser encontrado depende da sua prioridade:
- prazer de uso (praia, esportes, tranquilidade) vs rendimento máximo de aluguel;
- vista para o mar e proximidade imediata do oceano vs compromisso com a distância para ampliar a área ou permanecer no orçamento;
- mercado de nicho mais reservado vs zonas altamente internacionais.
Para um projeto de segunda residência voltada para férias, Lanzarote e Fuerteventura continuam opções atraentes, desde que se aceite uma revenda possivelmente mais demorada do que em Tenerife sul ou no litoral de Gran Canaria.
E La Palma, Santa Cruz e as ilhas mais discretas?
Para além dos grandes polos turísticos, algumas áreas oferecem uma interessante relação qualidade de vida/preço, com um mercado mais discreto. É o caso das casas à venda em Santa Cruz de Tenerife, capital provincial e porta de entrada para o norte da ilha, mais residencial.
Ali encontra-se um perfil mais citadino: profissionais em home office, famílias buscando escolas e serviços, aposentados que preferem comodidades a estar a 200 metros da praia. Os preços por unidade ali não são tão puxados pelo turismo puro quanto nas estações do sul, mas a profundidade de mercado é sustentada por uma demanda local permanente.
As ilhas mais preservadas, como La Palma, seguem essa lógica: cenário natural excepcional, turismo mais limitado em volume, mas focado em estadias prolongadas e experiências de natureza. Em troca, valores frequentemente mais amenos e um mercado mais nichado, onde a paciência é necessária na revenda, mas onde a pressão imobiliária é mais moderada.
Orçamentos e trajetória dos valores
Em 2026, o mercado canário se destaca por uma dinâmica sempre positiva, apoiada pelo turismo, pela atratividade climática e pelo aumento da presença de residentes europeus o ano todo (home office, aposentadoria ativa, múltiplas atividades).
É essencial pensar tanto:
- no nível de preço atual (o que você paga em 2026);
- e na trajetória provável (quanto o imóvel pode valer em 5 a 10 anos).
Essa abordagem evita focar apenas no « mais barato hoje », mas na coerência geral do seu projeto patrimonial.
Referência regional 3.084 €/m²; tendência anualizada >+13% em 2026
Em todo o arquipélago, o preço de referência gira em torno de 3.084 €/m², para todos os tipos de imóveis. Esta é uma média: alguns segmentos de entrada permanecem abaixo, enquanto imóveis premium à beira-mar superam largamente esse valor.
A trajetória observada mostra uma tendência anualizada superior a +13% em 2026 nas zonas mais tensionadas, sustentada por:
- a escassez de terrenos costeiros;
- manutenção de forte demanda internacional;
- modernização do parque (reformas, residências novas, adequação energética);
- elevação da qualidade da oferta turística.
Para o comprador, isso implica:
- antecipar um custo de entrada crescente se a compra for adiada por vários anos;
- manter lucidez quanto aos cenários: esse crescimento não é garantido a longo prazo (fases de estabilização são possíveis);
- privilegiar localizações capazes de resistir em caso de desaceleração (proximidade de serviços, transporte, praia, vistas, qualidade do entorno).
O objetivo não é especular, mas posicionar-se de forma serena em um ativo que mantenha seu apelo ao longo do tempo. 😊
Antecipar custos insulares (transporte, energia) e normas de uso
Além do preço de compra, viver ou investir nas Canárias significa lidar com custos insulares específicos. Eles podem impactar seu orçamento global e a rentabilidade de um projeto de aluguel.
Entre os pontos a antecipar:
- transporte: passagens de avião regulares se você voltar frequentemente à Europa continental, aluguel ou compra de carro no local, eventual custo adicional para envio de certos bens ou materiais;
- energia: custos variáveis segundo a ilha e os operadores, uso intenso de ar-condicionado em algumas áreas, possíveis investimentos em energia solar para estabilizar a conta a longo prazo;
- água: recurso precioso nas ilhas, impactando às vezes nas despesas de condomínio (piscina, irrigação, jardim);
- logística de obras em caso de reforma: prazos e custos de entrega de materiais, disponibilidade de profissionais, coordenação mais complexa do que no continente.
Acrescentam-se as normas de uso:
- regulamentos locais sobre aluguel turístico (licenças, cotas, zonas permitidas);
- estatutos de condomínio por vezes rígidos (uso hoteleiro proibido, restrições para reformas visíveis, gestão das áreas comuns);
- particularidades fiscais e administrativas ligadas à comunidade autônoma das Canárias.
Os dados agregados de plataformas como Green Acres, cruzados com as regras locais, podem ajudar a calibrar um projeto: comparando preços medianos por tipo de imóvel e perfil de compradores por ilha, você refina sua estratégia entre residência principal, segunda residência e investimento de aluguel.
Considerar esses parâmetros desde a escolha da zona (Tenerife, Gran Canaria, Lanzarote, Fuerteventura ou La Palma) evita surpresas desagradáveis após a mudança.
Indicadores 2026: fluxos aéreos e investimento hoteleiro
Para analisar o potencial de uma área, não se limite aos anúncios imobiliários. Observe também os indicadores macroeconômicos que irrigam o valor: tráfego aéreo, projetos hoteleiros, modernização de infraestruturas, políticas de turismo.
Em 2026, esses sinais são especialmente relevantes nas Canárias, onde o turismo segue como motor da economia local e um importante impulsionador da demanda por segundas residências e locações por temporada.
AENA e observatórios locais: tráfego em alta, investimentos constantes
Dados da AENA (gestora dos aeroportos espanhóis) e dos observatórios locais mostram um aumento contínuo dos fluxos aéreos para as principais ilhas canárias. Isso resulta em:
- mais voos diretos com grandes cidades europeias;
- uma temporada turística cada vez mais estendida, além dos simples meses de inverno;
- uma diversificação dos perfis de visitantes (pessoas em home office, famílias, idosos ativos, esportistas, nômades digitais).
Paralelamente, o investimento hoteleiro permanece forte:
- reformas de complexos existentes para padrões mais premium;
- criação ou transformação de estruturas tipo boutique-hotel, aparthotel, resorts temáticos;
- projetos de desenvolvimento em frentes marítimas, marinas e campos de golfe.
Para o comprador de imóveis, essas tendências são relevantes porque:
- aumentam a visibilidade internacional dos destinos (Tenerife, Gran Canaria, Lanzarote, Fuerteventura, La Palma);
- impulsionam a demanda de aluguel por curta e média temporada;
- podem gerar valorizações imobiliárias nos setores mais bem servidos;
- incentivam o poder público a melhorar as infraestruturas (estradas, saúde, serviços).
Na escala de 2026, as ilhas que combinam aumento no tráfego aéreo, investimentos turísticos constantes e escassez de terrenos costeiros estão especialmente bem posicionadas para um projeto imobiliário de médio/longo prazo.