Tendência 2026: cenários de aumento de preços e volumes
Pesquisa UCI-SIRA: vendas e preços em alta em 2026
A pesquisa UCI-SIRA, amplamente acompanhada pelos profissionais espanhóis, delineia para 2026 um cenário globalmente positivo para a Catalunha. Os agentes entrevistados antecipam:
- uma recuperação progressiva dos volumes de vendas após os ajustes de 2023–2024,
- um aumento moderado, mas contínuo, dos preços por metro quadrado,
- um mercado catalão mais dinâmico que a média espanhola, impulsionado por Barcelona e o litoral.
A tendência dominante, portanto, não seria a explosão dos preços, mas sim uma normalização de alta: menos volatilidade, mais estabilidade, com um prêmio duradouro para as localizações mais procuradas.
Para um comprador, isso significa duas coisas:
- aguardar uma queda significativa nos preços na Catalunha parece pouco realista até 2026,
- o verdadeiro desafio torna-se a escolha da microlocalização e da qualidade do imóvel, em vez do « timing perfeito ».
Os dados do site especializado Green Acres confirmam essa leitura para os imóveis em Barcelona intra-muros, onde a média gira em torno de 544.000 € para áreas de cerca de 117 m², ou seja, um mercado já estabelecido em valores elevados.
Premium litorâneo: Begur e Costa Brava com valores de 5.000–8.000 €/m², mais de 9.000 € com vista para o mar
No litoral catalão, a Costa Brava continua sendo um dos mercados mais cobiçados da Europa para residências secundárias e projetos de mudança de vida. Alguns municípios como Begur, Tamariu, Llafranc ou Calella de Palafrugell destacam-se por um posicionamento claramente premium.
As ordens de grandeza frequentemente observadas nesses setores mais procurados são:
- 5.000–8.000 €/m² para apartamentos ou casas bem localizadas, renovadas ou de padrão recente,
- mais de 9.000 €/m² para imóveis com vista panorâmica para o mar, terraço generoso ou acesso direto à praia,
- orçamentos totais que facilmente ultrapassam 1 milhão de euros para uma villa com piscina nas enseadas mais exclusivas.
As médias registradas na Green Acres para os principais municípios da Costa Brava ilustram esse posicionamento de alta gama, notadamente o mercado imobiliário em Tamariu (mais de 1,09 M€ em média para villas de cerca de 250 m²) ou ainda em Llafranc e Calella de Palafrugell, onde os orçamentos exigidos regularmente superam um milhão de euros.
Essa pressão sobre os preços se explica por vários fatores:
- um solo litorâneo muito limitado, protegido por regulamentações urbanísticas rigorosas,
- uma demanda internacional sustentada (França, Benelux, Alemanha, Reino Unido, países nórdicos),
- uma atratividade reforçada por trabalhadores remotos e empresários móveis em busca de um estilo de vida mediterrânico.
Para 2026, os cenários mais realistas para esse segmento são:
- uma continuação do aumento dos preços nas localizações de exceção,
- uma seletividade crescente dos compradores, que exigem vista, qualidade arquitetônica e desempenho energético,
- um distanciamento crescente entre as enseadas icônicas e os municípios vizinhos menos conhecidos, mas mais acessíveis.
Os perfis que hoje se posicionam nesses mercados são muito internacionais: no departamento de Girona, o banco de dados da Green Acres mostra que 46% das demandas estrangeiras vêm da França, muito à frente da Alemanha (8%) e Bélgica (7%), com orçamentos medianos em torno de 239.000 € para cerca de 75 m², o que também revela a existência de um segmento mais acessível, logo atrás da linha de frente do mar.
Mecânicas de mercado
Demanda internacional e oferta restrita nos hotspots
Compreender a dinâmica dos “hotspots” catalães – essas áreas onde os preços resistem e crescem – é fundamental para afinar sua estratégia de compra. Barcelona, Sitges, Begur, Cadaqués ou ainda alguns bairros da Costa Dorada concentram um coquetel explosivo:
- uma demanda internacional forte e pouco sensível às instabilidades locais,
- uma oferta de qualidade limitada pela escassez de terrenos ou restrições de renovação,
- um estoque existente muitas vezes detido há muito tempo, com pouca rotatividade.
Em Barcelona, essa pressão se materializa especialmente em:
- os bairros centrais bem conectados (Eixample, Gràcia, Born),
- as áreas litorâneas muito procuradas (Barceloneta, Diagonal Mar),
- os setores « vilarejo urbano » bem servidos (Poblenou, Sarrià, Sant Gervasi).
Na área de Barcelona, os dados da Green Acres mostram ainda um peso significativo dos compradores estrangeiros, especialmente franceses (17% das demandas), mas também americanos, suíços ou alemães, com preços medianos globalmente entre 3.000 e 4.000 €/m² de acordo com a nacionalidade. Essa profundidade da demanda internacional explica em parte a resiliência dos preços nos bairros mais disputados.
Consequências concretas para um comprador:
- os imóveis bem localizados são vendidos rapidamente, às vezes pelo preço ou acima,
- a margem de negociação permanece limitada no coração dos hotspots,
- preparar o dossiê financeiro com antecedência se torna uma verdadeira vantagem competitiva 🙂
Nessas áreas, o impulso dos preços não vem apenas da residência principal, mas também de:
- residências secundárias de alto padrão,
- investimento em aluguel sazonal ou de médio prazo,
- instalação de novos residentes atraídos pela qualidade de vida catalã.
Localidades como Sitges, muito procuradas pela qualidade de vida e acessibilidade desde Barcelona, ilustram bem essa lógica, com orçamentos médios acima de um milhão de euros para villas de cerca de 220 m² em Sitges, enquanto em Cadaqués, um dos mercados mais exclusivos, as demandas focam em imóveis frequentemente acima de 2 M€ para áreas mais reduzidas, mas com vistas espetaculares para o mar (casas à venda em Cadaqués).
Periferias e cidades médias catalãs: alternativas de acesso
Diante do nível de preço de Barcelona e dos municípios litorâneos mais prestigiados, cada vez mais compradores se voltam para:
- as periferias bem conectadas a Barcelona,
- as cidades médias catalãs em renovação.
Esses setores geralmente oferecem um melhor equilíbrio entre:
- preços de compra mais acessíveis,
- qualidade de vida (áreas verdes, tranquilidade, proximidade com a natureza),
- acesso razoável a Barcelona ou ao litoral de trem ou carro.
Entre as zonas frequentemente consideradas pelos compradores:
- o Vallès (Sabadell, Terrassa, Sant Cugat) para perfis familiares,
- o Maresme (Mataró, Arenys, Vilassar) para um compromisso entre mar/preço acessível,
- Girona e sua aglomeração, portas de entrada para a Costa Brava,
- Lleida e alguns municípios do interior para projetos de casas com terreno e orçamento controlado.
Nesses mercados, a dinâmica é diferente:
- os preços permanecem mais controlados e, por vezes, negociáveis,
- os imóveis frequentemente exigem mais obras de renovação,
- os compradores locais desempenham papel importante, o que estabiliza o mercado.
Os dados do banco Green Acres ilustram bem esses contrastes: em Sant Cugat ou em vários municípios do Maresme (Mataró, Arenys, Vilassar), os orçamentos médios situam-se em torno de 385.000 a pouco mais de 1 M€ para casas maiores e familiares, muitas vezes com jardim (casas à venda em Mataró, casas à venda em Arenys, casas à venda em Vilassar), enquanto em Girona, as demandas são por grandes casas de mais de 400 m², com orçamentos superiores a um milhão de euros (Imobiliário em Girona).
Para um projeto de mudança de vida, esses territórios representam uma opção interessante se:
- você está disposto a se afastar da orla mais prestigiosa,
- valoriza espaço, jardim ou ambiente mais rural,
- tem certa flexibilidade em seus deslocamentos ou trabalho remoto.
Além disso, o avanço do teletrabalho e modos de vida híbridos (cidade + campo) pode sustentar os preços nesses municípios até 2026, ao mesmo tempo em que ainda há boas oportunidades para compradores precoces.
Em territórios interiores como o departamento de Lleida, ainda pouco divulgados, mas presentes nas pesquisas por residências secundárias, os compradores estrangeiros são, até agora, principalmente franceses (32% das demandas), com preços medianos significativamente inferiores aos do litoral. Isso faz deles um laboratório interessante para quem quer priorizar espaço e orçamento em vez da proximidade imediata do mar.
Como escolher entre Barcelona, litoral e cidades médias
Diante dessas mecânicas de mercado, o verdadeiro desafio é esclarecer sua estratégia pessoal, em vez de procurar o “melhor mercado absoluto”.
Na prática, você pode se perguntar algumas questões simples:
- Sua prioridade é o valor patrimonial a longo prazo ou a qualidade de vida no dia a dia?
- Está disposto a aceitar tempos de deslocamento mais longos para reduzir o orçamento de compra?
- Deseja alugar seu imóvel parte do ano (e, em caso afirmativo, para que tipo de cliente)?
Algumas possibilidades de escolha:
- Barcelona intra-muros: para um ativo patrimonial sólido, com potencial locativo variado, porém com ticket de entrada elevado.
- Costa Brava premium (Begur, Llafranc, Tamariu…): para um verdadeiro encantamento com vista para o mar, geralmente em residência secundária, com uma raridade que sustenta os preços.
- Litoral mais acessível ou cidades médias: para maximizar espaço e conforto, apostando em tendências estruturais (teletrabalho, busca por espaço, retorno à natureza).
Em todos os casos, a chave é:
- analisar bem o microsetor (rua, exposição, vizinhança, serviços),
- antecipar o orçamento global (preço + reformas + taxas de compra),
- ser acompanhado para garantir a segurança da transação em um ambiente jurídico e fiscal por vezes complexo para estrangeiros.